Hoje estou escrevendo de bom humor. É raro isso. Eu já tinha aceitado que sou uma dessas pessoas que só escreve conflituosamente.
(Um parêntesis: O mundo é conflito.)
Mas talvez eu não seja assim. Talvez não seja nada do que digo que sou. Te engano, mas não é por maldade. Te engano porque a vida é um engano.
(O mundo é conflito e a vida é um engano.)
Um engano delicioso, por sinal.
A coerência me desce mal no estômago. A coerência é perfeita, o imperfeito é que é bonito.
Alguns textos me inspiram. Mas é uma inspiração que me escorre pelos dedos. Vou explicar: é que a ideia foge.
Às vezes outra pessoa escreve o que eu queria ter escrito, o que eu pensei mas pensei sem as palavras, ou sem as palavras certas. Aí chega alguém e consegue. Ele fez assim: abriu minha cabeça e me roubou o pensamento.
Me roubou? Na verdade ele não me abriu a cabeça: o pensamento, a ideia, estava no ar. E aí a ideia que estava no ar bate na testa (não na minha testa). A ideia ficou um tempão pairando do meu lado, eu até podia sentir o cheiro, o gosto, dela ("ta na ponta da língua"). A ideia era um fantasma, mas aí deu na testa do outro.
Hoje estou vomitando ideias. Acho que é isso que acontece quando, durante muito tempo, se esquece de pensar.
Eu andava pensando pouco. Era só um pensamento ou outro que vinha assim quando eu estava no ônibus. Aí pegava um caderno e anotava. Só que depois eu não sabia mais onde tinha guardado o pensamento. Agora de vez em quando eu abro um caderno e uma ideia pula.
Tipo essa: "Subir até o topo da montanha mais alta?"
E mais essa: "Não quero jogar ideias fora. Também não quero guardá-las."
(Engraçado pensar que essa ideia que estava guardada tem tudo (tudo?) a ver com que estou dizendo agora. Vai ver que é a mesma ideia, que não estava guardada coisa nenhuma, estava na minha testa.)
Vou ter que inventar tempo para pensar.
(Quero me permitir o ócio criativo.)
Existe algo de mágico nessas ideias que são soltas. Mas às vezes a magia não me basta. Outras vezes é magia o que eu quero.
Li, amei que você voltou a escrever aqui... Você escreve muito bem: é complexo, e ao mesmo tempo simples; é aquele tipo de texto que a gente SENTE, e não apenas lê. Afinal, quem nunca teve uma ideia que outro expressou da maneira ideal? Quem nunca sentiu que uma ideia estava pronta, mas quando tentamos falar sai tudo ao contrário? O que mais gosto dos seus textos é que são muito verdadeiros... e acredito que justamente por isso qualquer um que os lê consegue se identificar ;)
ResponderExcluirBrigada, Lê! Não só pelo comentário, mas também por ter me motivado a retomar o blog, porque eu estava realmente decidida a abandoná-lo. Às vezes, tudo o que a gente precisa é de um incentivo. :)
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