segunda-feira, 17 de maio de 2010

Sim, eu tenho fé. Não necessariamente uma fé religiosa, mas se você quiser chamar assim, tudo bem, não vai me ofender. A questão é que eu acredito. Em muitas coisas. Em muitas ao mesmo tempo. Não digo que não tenho religião, digo que sou de todas.
De certa forma, estou falando em respeito. Mas não é bem isso: não estou falando só em respeitar as diferentes crenças. Estou falando sobre saber que tudo pode ser verdade. E o fato de não ser digerível para você, não torna uma crença menos verdadeira. É que no fundo a gente não sabe de nada. E a gente se acha incapaz de digerir aquilo que o nosso raciocínio não alcança. O problema talvez seja exatamente esse... racionalizar demais... Não dá para tentar racionalizar a vida, os sentimentos... Mas a gente tenta o tempo todo. Talvez por medo. Medo do que sentimos e não entendemos. Medo de desejar.
No fundo, tudo no mundo não é uma questão de crença? Acreditamos, por exemplo, no que fazemos profissionalmente. Muitos acreditam, quase que dogmaticamente, na ciência. E teimam em garantir que isso nada tem a ver com fé. Colocam religião em um canto e a ciência no canto oposto. Pior: muitas vezes, colocam religião lá em baixo e a ciência no céu. Irônico a ciência ir parar no lugar de Deus. Eu me pergunto: é necessário isso? Ciência e Deus (ou deuses) precisam disputar espaço?
Acredito que ciência e Deus buscam o mesmo objetivo: entender o mundo. Fazem isso por instrumentos diferentes, só isso. Não precisam, portanto, disputar território. O território pode ser de todos.
E isso se estende a qualquer outra forma de ver o mundo.
E a minha maior crença é a de que todo mundo pode crer no que quiser. E todo mundo está sempre certo no seu entendimento sobre o mundo. Porque, afinal, estamos sempre errados também. Não sabemos de nada.

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