Ela achou que era mágico isso das poesias nas paredes. Mas ninguém mais parecia se importar. Já deviam estar acostumados. Acostumados com paredes que não eram impessoais, paredes que sentiam, que diziam. E aquilo dava um ar diferente. Um ar de... de proximidade, entende? Porque era como conhecer as paredes através de suas poesias. Era como... era como se as paredes deixassem de ser barreiras, deixassem de esconder o que estivesse atrás delas. Era como se as paredes virassem portas. Portas para a sala ao lado, que não era bem uma sala. O outro lado era feito de poesia. Feito de poesia, não, o outro lado era poesia, entende? Era assim: atrás da parede estava a poesia, mas a parede deixava a gente ver o que tinha atrás dela.
Mas é que as poesias não eram das paredes. As poesias eram das pessoas. E isso dá um ar diferente.
A proximidade não era mais entre ela e as paredes. A proximidade era entre ela e os outros. Porque a gente meio que conhece o outro pela poesia, entende? E então ela olhou para as pessoas, mas olhou com outros olhos. As máscaras tinham sumido, não existia mais barreira, ninguém se escondia. Era como se os olhos virassem portas para as almas. E a alma não era só a sala ao lado, a alma era poesia. Mas não poesia feita com palavras. Poesia em uma outra linguagem, que as pessoas não conheciam, mas entendiam.
E foi então que as pessoas deixaram de ser impessoais.
E como era bom esse mundo de pessoas pessoais...
Um mundo sem máscaras, sem barreiras...
Um mundo onde a pessoalidade não chocava...
Um mundo onde sentir, e dizer que se sente, era natural...
Um mundo onde se podia ser único, sem medo...
Era mágico. Mesmo.
PER-FEI-TO
ResponderExcluirsem mais palavras, porque não são necessárias nesse caso (senti o texto)