Em seu quarto guardava um monte de fotografias de lugares
que não conhecia mas que amava mesmo assim. Guardava não, as exibia nas
paredes. Era como se no seu quarto estivesse o mundo. Mas isso não era verdade.
Estava presa ali e agora que estava crescida não acreditava mais nessa ilusão
de viajar sem sair do lugar. Eram como aquelas histórias que sua mãe contava
quando ela era criança: por mais lindas que fossem, não eram reais. A realidade
era sempre mais bruta.
Queria sair do lugar. Queria um lugar real, mesmo que bruto.
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