sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Existem dois tipos de pessoas no mundo: as sinceras e as que mentem. As do primeiro grupo podem às vezes ser vistas como frias, grosseiras, porque são daquelas que só sorriem quando dá vontade. Podem, muitas vezes, ser do tipo anti-social. Têm poucos amigos, mas como são felizes os amigos dos sinceros... É que eles nunca precisam duvidar dessa amizade, porque o sincero não consegue fingir amar quem não ama.

(essa minha teoria, como todas as outras do mundo, é uma generalização ridícula: é claro que existem sinceros sorridentes e com muitos amigos, mas esse fato não contradiz o que de fato quero dizer: que os amigos dos sinceros são felizes)

Os mentirosos, por sua vez, são extremamente carismáticos. Fazem amigos com enorme facilidade, o que pode até gerar inveja aos indivíduos do primeiro grupo, mas só por um rápido momento, porque logo se percebe que amizade boa é a amizade sincera.

Os mentirosos dizem “eu te amo” muitas vezes, os sinceros quase nunca o dizem, afinal amor não é algo que vem assim a toda hora. Os mentirosos nem sabem mais quando estão amando de verdade, porque a mentira tem disso de acabar se confundindo com a verdade, e quando se começa a mentir fica difícil parar. Sorte dos sinceros que, por sinceros serem, também o são com si próprios: fica mais fácil entender o que se sente.

Coisa do destino, carma, acaso, coincidência ou o que quiser chamar, no mesmo dia em que, por casos e acasos da vida, ou simplesmente por um momento de lucidez, o que talvez dê na mesma, porque acontecimentos e pensamentos andam sempre juntos... Como vinha dizendo, no mesmo dia em que a verdade acima me tomou, me encontrei com Paulo Freire:

“mais do que um ser no mundo, o ser humano se tornou uma Presença no mundo, com o mundo e com os
outros. Presença que se pensa a si mesma, que se sabe presença, que intervém, que transforma, que fala do que faz mas também do que sonha, que constata, compara, avalia, valora, que decide, que rompe. E é no domínio da decisão, da avaliação, da liberdade, da ruptura, da opção, que se instaura a necessidade da ética e se impõe a responsabilidade. A ética se torna inevitável e sua transgressão possível é um desvalor, jamais uma virtude. Na verdade, seria incompreensível se a consciência de minha presença no mundo não significasse já a impossibilidade de minha ausência na construção da própria presença. Como presença consciente no mundo não posso escapar à responsabilidade ética no meu mover-me no mundo.”

Existem dois tipos de pessoas no mundo: os éticos e os outros. Os que reconhecem sua presença no mundo e que se sentem responsáveis por seus atos, e os que se fingem ausentes.

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